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Quem era a mulher que morreu após dar à luz trigêmeos em Itajaí

Camila da Conceição, 32 anos, deixa marido e sete filhos


Por Bianca Bertoli


Camila da Conceição, 32, sonhava com uma vida comum. Quando veio morar em Itajaí, no Vale, há cerca de dez anos, queria apenas ter direito a um emprego digno junto com o marido e educar as filhas. Nesta quinta-feira (28), quase dois dias depois de dar à luz trigêmeos, ela não resistiu às complicações do parto. Deixou os recém-nascidos e quatro meninas de três, 11 e 13 anos.



A família ainda tenta assimilar a realidade. Éricka Layne, 24, conta que devido à pouca diferença de idade, tinha a tia como uma amiga próxima. Dividiam os assuntos do dia a dia, principalmente sobre os filhos. Camila era uma mãe dedicada e amorosa, garante a sobrinha. As gêmeas de três anos não aceitavam passar um dia sequer na casa de parentes, de tão apegadas à mulher.


Na primeira e segunda gestação, Camila teve duas meninas. Na terceira vieram as gêmeas e na quarta, os trigêmeos. A gravidez não foi planejada — tanto que antes de fazer o teste ela achava que estava com coronavírus —, mas o casal, passado o susto, ficou radiante, ainda mais quando soube que teria o primeiro menino, esperado desde a chegada da primogênita.


O companheiro de Camila e pai dos sete, José Cardoso, 34, sustentava a família com o que ganhava como pedreiro enquanto ela cuidava dos filhos na casa alugada, de dois quartos, no bairro Murta. Eles são do interior de Sergipe e estavam juntos há mais de 13 anos. Quando vieram a Santa Catarina em busca de uma vida melhor, tiveram o apoio de boa parte da família do homem, que também vive na região.



Éricka e o pai, Altamir Santos, irmão de Camila, mudaram logo depois. Ficar longe da mãe e dos outros três irmãos fez Camila voltar ao Estado de origem durante a gravidez das gêmeas. Sentia-se sozinha, estava preocupada com o desemprego do esposo e preferiu manter o relacionamento a distância para ter a rede de apoio. Há pouco mais de um ano retornou a Itajaí para unir a família novamente.


Sempre sorrindo


Com a pandemia e sem conseguir vagas na creche para as pequenas, Camila se tornou dona de casa. Ao saber da nova gravidez, teve ajuda de familiares e conhecidos, que doaram muitas roupas e itens essenciais. Como o imóvel é pequeno, a sergipana colocou um berço no quarto do casal e outro na sala. As meninas ficaram com a tia, que mora na mesma rua, para a internação ocorrer sem preocupações. Tudo estava pronto para quando voltasse do hospital. A cesárea foi agendada para a tarde desta terça-feira (26).



A gestação foi tranquila e Camila estava animada para o parto, lembra a sobrinha. Na semana passada, pediu para Éricka arrumar o cabelo dela para a ida à maternidade. Ambas esqueceram do momento de beleza e se divertiram com a situação.


— Eu mandei mensagem para ela na segunda-feira e disse: “por que você não me lembrou?". Ela respondeu: “porque eu também esqueci”. Ela estava empolgada, alisava aquele barrigão toda hora, queria amamentar os três até quando pudesse, igual fez com as gêmeas — recorda com carinho a amiga e sobrinha.


O irmão Altamir complementa que ela fazia artesanato para ajudar na renda e comprar o enxoval. Sempre sorridente e brincalhona, tinha disposição de sobra, mesmo na 36º semana da gestação de trigêmeos.


— Ela vivia rindo, éramos muito companheiros, nunca brigamos. A gestação foi tão boa, estava indo tudo tão bem, eu não entendo —, custa a acreditar o irmão.


Morte repentina


Éricka, Altamir e José dizem não entender o que houve com Camila, já que o parto foi um sucesso e os quatro estavam bem após o procedimento. Ela chegou a se alimentar e beber água, para então começar a se queixar de um cansaço extremo.



— Ela dizia que estava se sentindo fraca, porque perdia muito sangue, e então os médicos a levaram para a UTI. Eu não pude ir junto, e daí em diante não consegui acompanhar mais nada — detalhou o esposo.


Uma ligação nesta manhã o levou ao hospital. Lá, recebeu a triste notícia. Em nota, o Hospital Marieta Konder Bornhausen explicou que depois do parto Camila teve complicações hemorrágicas, “havendo necessidade de uma nova intervenção cirúrgica, de emergência”. O útero teria sido retirado, mas a gravidade do caso impediu a recuperação e a morte ocorreu na UTI.


Despedida


A prefeitura da cidade natal de Camila, Indiaroba, responsabilizou-se pelo translado do corpo, para que a mãe e irmãos possam dar o último adeus. Em Itajaí não deve haver velório, apenas uma despedida rápida para os familiares mais próximos na própria funerária. O horário não havia sido definido até o fechamento desta reportagem.


Ajuda à família


José não conseguirá criar os sete sozinho. Por isso, a mãe e as irmãs devem ajudar em um primeiro momento. O tipo de leite que os bebês tomarão ainda não foi definido pela equipe médica, mas eles devem receber alta ainda nesta quinta-feira.



Serão cinco crianças com fraldas (as gêmeas ainda utilizam) e apenas uma pessoa para sustentar a todos. Toda ajuda é bem-vinda, mas Éricka sugere alguns itens como preferenciais: fraldas, produtos de higiene para bebês, alimentos e leite.


A Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro em que vivem, na Rua Orlandina Amália Pires Corrêa, 300, em Itajaí, prontificou-se a receber e encaminhar as doações. Outra opção é entrar em contato com Altamir pelo telefone 47-9 9791-9488.


Por Bianca Bertoli



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