Praia de Balneário Camboriú amanheceu coberta de algas nesta terça-feira (29); desvendado o mistério


A Praia Central de Balneário Camboriú amanheceu coberta pelo fenômeno das arribadas nesta terça-feira (29). São massas de microalgas e briozoários, organismos marinhos que formam colônias, e que são carregados pelas ondas até a faixa de areia — especialmente no verão. A ocorrência, que há anos intriga moradores e turistas, desta vez tem resposta da ciência.


Um trabalho de dois anos, desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e coordenado pelo professor Charrid Resgalla Junior, apurou que o fenômeno é natural e ocorre, pelo menos, desde a década de 1930. As arribadas são o resultado de uma combinação entre as características geográficas da Praia Central e condições ideais de temperatura, luminosidade, movimento das ondas e oferta de nutrientes.


A ocorrência tem sido relatada com mais frequência - e em maior quantidade - desde 2003. O objetivo da pesquisa era descobrir onde a 'mancha' se forma, e o que interfere em seu ciclo de vida. O levantamento identificou que os organismos ficam na coluna d´água, antes da arrebentação – o que significa que não se soltam de alguma colônia ao longo da costa, como se cogitava antes do levantamento. Dependendo das correntes marítimas, eles são levados até a praia.


Fotos ajudaram pesquisadores


A pesquisa contou com mais de 20 horas de mergulho, análise em laboratório do material que chega à praia, e levantamento histórico. Fotos antigas mostraram que o fenômeno já era registrado em Balneário Camboriú em 1938. Imagens da década de 1970 também identificam as arribadas.


A diferença é que, aparentemente, elas ocorriam em menor quantidade. Para os pesquisadores, o aumento na disponibilidade de matéria orgânica na água, resultado da urbanização de Balneário Camboriú, foi o que propiciou o aumento das microalgas e briozoários na costa. Isso está relacionado, por exemplo, a questões sanitárias.


A secretária Municipal de Meio Ambiente, Maria Heloísa Lenzi, diz que a maior oferta de nutrientes está relacionada à quantidade de matéria orgânica que é carregada, por exemplo, pela água da chuva para dentro do mar.

- Havia problema de saneamento, especialmente na região do Pontal Norte. Mas isso foi resolvido com a instalação da nova rede – avalia.


Outra hipótese levantada pela secretária é a da presença de fertilizantes na água do mar – uma possibilidade que vem sendo pesquisada em todo o mundo, para tentar explicar o aumento na proliferação de algas nos oceanos. Em Balneário Camboriú, isso poderia ser resultado da atividade agrícola que ocorre ao longo do Rio Camboriú.


Dados quantitativos sobre o material recolhido durante o ano todo pelas equipes de limpeza indicaram que houve redução na quantidade demicroalgas e briozoários recolhidos, o que pode apontar para um mehor controle.


A pesquisa também afastou duas hipóteses que haviam sido levantadas, nos últimos anos, para tentar explicar as arribadas. Uma delas era a de que houvesse influência das dragagens do Rio Itajaí-Açu, na região do Porto de Itajaí. Havia uma suspeita de que o bota-fora – local onde são depositados os sedimentos da dragagem – tivesse causado proliferação dos briozoários.

Também foi afastada a hipótese de que os navios de cruzeiro, que ancoram em Balneário Camboriú, tivessem aumentado a ocorrência do fenômeno. A pesquisa não encontrou relação entre a proliferação das microalgas e dos organismos e a chegada dos transatlânticos.


Com as respostas em mãos, a Secretaria de Meio Ambiente de Balneário Camboriú vai distribuir material informativo nas praias, para explicar aos veranistas o fenômeno. Com a pesquisa, o entendimento é de que as arribadas são parte do ecossistema local.


A dúvida que permanece, no entanto, é em relação às obras de alargamento da faixa de areia, que devem iniciar em março. Ainda não há certeza sobre a interferência que o engordamento da praia terá sobre a ocorrência dos organismos na orla de Balneário Camboriú.


A secretária de Meio Ambiente acredita que a incidência deve diminuir, mas informou que as arribadas serão monitoradas ao longo da obra.


Por Dagmara Spautz


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