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Governador Moisés desapareceu na pior crise sanitária da história de Santa Catarina



Há ausências que gritam, tamanho seu significado simbólico. Enquanto a pandemia acelera em Santa Catarina, o governador Carlos Moisés (PSL), retirado de campo por ter sido diagnosticado com Covid-19, desapareceu.



Todos os dias, em média 12 catarinenes perdem a batalha para o vírus. Os números deste sábado tendem a ser os mais altos desde o início da pandemia. Mas o governador não aparece - nem para esclarecer e confortar a população, nem para indicar que cenário nos aguarda.


Não foi o coronavírus que retirou Moisés de cena. Muito antes de testar positivo, o governador já havia se afastado da gestão da pandemia. Pressionado, jogou a responsabilidade para os municípios. Diferente de exemplos como os de São Paulo ou do Rio Grande do Sul, onde o Estado atua diretamente na modulação do abre-fecha nas cidades, aqui cada município atua sozinho, e faz o que bem entende.


O resultado é que, ao invés de ações pontuais e mais efetivas para conter a pandemia, a regionalização virou um misto entre inércia e ações populistas das prefeituras, em maior ou menor grau. Com distribuição de remédio que não têm comprovação científica, inclusive. A sensação é de um total desgoverno. 


Os últimos dias têm sido fartos em provas concretas do agravamento da pandemia em Santa Catarina – um impacto que os números, sozinhos, são incapazes de mostrar. Há um contênier frigorífico para colocar os corpos de mortos por Covid-19 em Itajaí. Na Capital, um edital foi aberto para a compra de mais de 200 sacos para cadáveres. 


O fato mais recente é a suspensão de partidas do Campeonato Catarinense, diante do teste positivo para o novo coronavírus de jogadores e membros da comissão técnica de pelo menos três clubes. O Sindicato dos Atletas Profissionais de SC cogita entrar na Justiça para pedir a suspensão da rodada – o que aponta para a falta de confiança na resposta do Estado à pandemia.


A esta altura, já é possível dizer que o governo perdeu a única batalha que foi sua, desde o início. Se o ajuste do orçamento e a conclusão da Ponte Hercílio Luz – feitos celebrados pelo governo - começaram em gestões anteriores, o mesmo não se pode dizer da batalha contra o coronavírus.  


Esta é uma crise que permite, enfim, avaliar ação e reação no governo Moisés. E o resultado é a falta de liderança e de eficiência. Enquanto a curva de casos e de óbitos sobe sem parar, o governo mostra que, sozinho, perdeu para si mesmo.


Por Dagmara Spautz

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