Em tempo de eleições fiscalização some de cena das praias Catarinenses




O feriadão brindado com sol e calor provou o que já se especulava há muito tempo: se deu praia, azar do coronavírus. As faixas de areia lotadas, em boa parte do nosso Litoral, dão uma mostra do que será o verão. E ele promete...


Depois de meses de isolamento social (para alguns) e prejuízos em série para o setor do turismo, é natural que essa movimentação seja recebida com ânimo e muito bem-vinda. Só tem um problema: oficialmente, as praias continuam fechadas em Santa Catarina – exceto para esportes individuais.


Já escrevi sobre isso algumas semanas atrás, e repito: manter essa proibição não faz mais sentido. Primeiro, porque não há como convencer as pessoas de que há lógica em não poder colocar a cadeira na areia, mas poder sentar no bar no outro lado da rua. Segundo, porque o descumprimento da regra é flagrante.


Diante da proximidade das eleições, e da necessidade de sobrevivência econômica das cidades, a maioria dos prefeitos achou que seria pouco simpático proibir os turistas de tomar banho de sol no feriado. O resultado é que, desta vez, até a fiscalização sumiu de cena.



Se não há meios de proibir a praia, faz mais sentido reconhecer o problema e passar a regrar de forma coerente a permanência dos banhistas. Frear o atendimento de bares e restaurantes na areia, por exemplo, é uma forma de reduzir a aglomeração de guarda-sóis em espaços restritos. Controlar as medidas sanitárias tomadas pelos ambulantes é outra frente que precisa ser atacada pelos municípios.


Da maneira como estamos hoje, as regras são "para inglês ver". Quase ninguém cumpre, quase ninguém fiscaliza.


Já passou da hora das autoridades levarem a praia a sério.


Por Dagmara Spautz







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