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Dona Antônia de 102 anos é vacinada contra o coronavírus no dia de seu aniversário

Dona Antônia Previato Soto vive em uma casa de acolhimento em Blumenau


Dona Antônia Previato Soto ganhou um presente muito esperado ao completar 102 anos de vida. Ela foi vacinada contra o coronavírus na manhã desta sexta-feira (22), justamente no dia do aniversário. A idosa, que já vivenciou guerra mundial e outras pandemias, tem o que comemorar: ela é uma das pouco mais de 3 mil pessoas que estão sendo vacinadas na cidade nesta primeira etapa da campanha.



Antônia nasceu em Bocaína (SP), onde passou a maior parte da vida. Trabalhou na roça por anos, cultivando alimentos que depois eram utilizados para o sustento e também para a venda, como contou o neto, André Soto, de 47 anos.

Ela e o marido, Sebastião Soto, que morreu aos 98, foram casados por 62 anos. Deste amor de longa data nasceram cinco filhos: Roque, Luiz, Dirce, José e Antônio Carlos, já falecido. Além dos filhos, ela tem seis netos e seis binsetos. André conta que quando o avô faleceu, os filhos decidiram trazer dona Antônia para morar perto deles, em Santa Catarina.


Há 10 anos, o filho mais velho, José, e a nora, Irene — pais de André — são as pessoas responsáveis por cuidar de dona Antônia. Ela morava junto com eles, no entanto, há três anos, devido à idade avançada dos três, decidiram que o melhor a fazer era a acomodar em uma casa de acolhimento, no bairro Glória.


André conta que todos os dias a mãe dele visitava a avó, mas com a chegada da pandemia as idas precisaram parar, para proteção de ambas.


— Ela levava coisas que a vó adora, como queijo, iorgurte, frutas e também pegava as roupas dela para lavar em casa —, detalha o neto.



André revela que apesar da idade avançada a avó ainda é lúcida e não tem nenhuma doença. O passatempo dela é conversar com os colegas e saber as últimas novidades, ou melhor, “fofocar”, como resume André.


A pandemia fez com que a família não pudesse mais visitar dona Antônia, por isso os filhos, netos e bisnetos enviam vídeos, áudios e fazem ligações para que ela não se sinta sozinha. A situação crítica do coronavírus no Estado e os 102 anos estão fazendo com que aos poucos ela não se lembre quem são as pessoas.


— A mãe falou que às vezes a vó se lembra dela, às vezes não. Isso é muito ruim, porque estimulando e estando perto a gente consegue fazer com que ela lembre, mas com o isolamento isso acaba sendo comprometido — lamentou André.


De acordo com ele, a avó não consegue entender exatamente o motivo da família não ir visitá-la. Nesta sexta, o aniversário teve de ser sem os parentes, mas o presente foi em dose dupla: começo de proteção contra o vírus para ela, esperança do reencontro para eles.


— Quando recebemos a notícia ficamos muito felizes e faceiros. Receber um presentão desses no dia do aniversário, não dá nem para imaginar a felicidade — disse o neto.


Por Brenda Bittencourt





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